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April 10, 2026
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"El tesoro del Luso."
"The Lusiad is so smoothly written, so harmonious, and so full of similes that ever since Camoëns' day it has served as a model for Portuguese poetry and is even yet an accepted and highly prized classic in Portuguese Literature."
"The first successful attempt in modern Europe to construct an epic poem on the ancient model."
"The most pleasing literary labour of my life has been to translate "The Lusiads"."
"Among the great Epopaea, which are constructed upon the basis of a classic culture, we must include the "Lysiad" of Camoens. In the subject-matter of this entirely national composition, which celebrates the bold sea-faring of the Portuguese, we are already beyond the true Middle Ages, and have interests unfolded, which inaugurate a new era. But here, too, despite the glow of its patriotism, despite the life-like character of the descriptive matter, based for the most part upon the author's own experience, we are still conscious of a real barrier between the subject that is national and an artistic culture that is borrowed from the ancients and the Italians."
"Os Lusíadas is in many ways the epic of Humanism."
"Quem faz injúria vil e sem razão, Com forças e poder em que está posto, Não vence; que a vitória verdadeira É saber ter justiça nua e inteira."
"Nô mais, Musa, nô mais, que a Lira tenho Destemperada e a voz enrouquecida, E não do canto, mas de ver que venho Cantar a gente surda e endurecida. O favor com que mais se acende o engenho Não no dá a pátria, não, que está metida No gosto da cobiça e na rudeza Dũa austera, apagada e vil tristeza."
"Fazei, Senhor, que nunca os admirados Alemães, Galos, Ítalos e Ingleses, Possam dizer que são pera mandados, Mais que pera mandar, os Portugueses. Tomai conselho só d'exprimentados Que viram largos anos, largos meses, Que, posto que em cientes muito cabe, Mais em particular o experto sabe."
"Vão os anos decendo, e já do Estio Há pouco que passar até o Outono; A Fortuna me faz o engenho frio, Do qual já não me jacto nem me abono; Os desgostos me vão levando ao rio Do negro esquecimento e eterno sono: Mas tu me dá que cumpra, ó grão Rainha Das Musas, co que quero à nação minha!"
"Pera servir-vos, braço às armas feito, Pera cantar-vos, mente às Musas dada; Só me falece ser a vós aceito, De quem virtude deve ser prezada. Se me isto o Céu concede, e o vosso peito Dina empresa tomar de ser cantada, Como a pres[s]aga mente vaticina Olhando a vossa inclinação divina,'Ou fazendo que, mais que a de Medusa, A vista vossa tema o monte Atlante, Ou rompendo nos campos de Ampelusa Os muros de Marrocos e Trudante, A minha já estimada e leda Musa Fico que em todo o mundo de vós cante, De sorte que Alexandro em vós se veja, Sem à dita de Aquiles ter enveja."
"Porque essas honras vãs, esse ouro puro Verdadeiro valor não dão à gente: Melhor é, merecê-los sem os ter, Que possuí-los sem os merecer."
"Nem me falta na vida honesto estudo, Com longa experiência misturado, Nem engenho, que aqui vereis presente, Cousas que juntas se acham raramente."
"Vistes que, com grandíssima ousadia, Foram já cometer o Céu supremo; Vistes aquela insana fantasia De tentarem o mar com vela e remo; Vistes, e ainda vemos cada dia, Soberbas e insolências tais, que temo Que do Mar e do Céu, em poucos anos, Venham Deuses a ser, e nós, humanos."
"N'uma mão sempre a espada, e n'outra a pena."
"Ó quanto deve o Rei que bem governa, De olhar que os conselheiros, ou privados, De consciência e de virtude interna E de sincero amor sejam dotados! Porque, como este posto na suprema Cadeira, pode mal dos apartados Negócios ter notícia mais inteira, Do que lhe der a língua conselheira."
"No mais interno fundo das profundas Cavernas altas, onde o mar se esconde, Lá donde as ondas saem furibundas, Quando às iras do vento o mar responde."
"A verdade que eu conto nua e pura Vence toda grandíloqua escritura."
"Quão doce é o louvor e a justa glória Dos próprios feitos, quando são soados! Qualquer nobre trabalha que em memória Vença ou iguale os grandes já passados. As invejas da ilustre e alheia história Fazem mil vezes feitos sublimados. Quem valerosas obras exercita, Louvor alheio muito o esperta e incita."
"Sem vergonha o não digo, que a razão De algum não ser por versos excelente, É não se ver prezado o verso e rima, Porque quem não sabe arte, não na estima."
"Veja agora o juízo curioso Quanto no rico, assim como no pobre, Pode o vil interesse e sede inimiga Do dinheiro, que a tudo nos obriga."
"Não acabava, quando uma figura Se nos mostra no ar, robusta e válida, De disforme e grandíssima estatura, O rosto carregado, a barba esquálida, Os olhos encovados, e a postura Medonha e má, e a cor terrena e pálida, Cheios de terra e crespos os cabelos, A boca negra, os dentes amarelos.'Tão grande era de membros, que bem posso Certificar-te, que este era o segundo De Rodes estranhíssimo Colosso, Que um dos sete milagres foi do mundo: Com um tom de voz nos fala horrendo e grosso, Que pareceu sair do mar profundo: Arrepiam-se as carnes e o cabelo A mi e a todos, só de ouvi-lo e vê-lo."
"Pois vens ver os segredos escondidos Da natureza e do úmido elemento, A nenhum grande humano concedidos De nobre ou de imortal merecimento, Ouve os danos de mim, que apercebidos Estão a teu sobejo atrevimento, Por todo o largo mar e pela terra, Que ainda hás de sojugar com dura guerra."
"Ó que não sei de nojo como o conte! Que, crendo ter nos braços quem amava, Abraçado me achei com um duro monte De áspero mato e de espessura brava. Estando com um penedo fronte a fronte, Que eu pelo rosto angélico apertava Não fiquei homem não, mas mudo e quedo, E junto dum penedo outro penedo."
"Já que nesta gostosa vaidade Tanto enlevas a leve fantasia, Já que à bruta crueza e feridade Puseste nome esforço e valentia, Já que prezas em tanta quantidade O desprezo da vida, que devia De ser sempre estimada..."
"Assim contava, e com um medonho choro Súbito diante os olhos se apartou; Desfez-se a nuvem negra, e com um sonoro Bramido muito longe o mar soou."
"Ó que famintos beijos na floresta, E que mimoso choro que soava! Que afagos tão suaves, que ira honesta, Que em risinhos alegres se tornava! O que mais passam na manhã, e na sesta, Que Vénus com prazeres inflamava, Melhor é experimentá-lo que julgá-lo, Mas julgue-o quem não pode experimentá-lo."
"The most beautiful epic of the Iberian Peninsula is Portuguese: the Lusiadas of Luis de Camões (1572), the great epic of the ocean, which sings of Vasco da Gama's voyage around Africa and the Portuguese colonization of the Indies."
"Mas quem pode livrar-se por ventura Dos laços que Amor arma brandamente Entre as rosas e a neve humana pura, O ouro e o alabastro transparente? Quem de uma peregrina formosura, De um vulto de Medusa propriamente, Que o coração converte, que tem preso, Em pedra não, mas em desejo aceso?"
"Ouviu-o o Douro e a terra Transtagana; Correu ao mar o Tejo duvidoso; E as mães, que o som terríbil escutaram, Aos peitos os filhinhos apertaram."
"As cousas árduas e lustrosas Se alcançam com trabalho e com fadiga."
"Um fraco Rei faz fraca a forte gente."
"Tu só, tu, puro Amor..."
"Contra uma dama, ó peitos carniceiros, Feros vos amostrais, e cavaleiros?"
"Assim como a bonina, que cortada Antes do tempo foi, cândida e bela, Sendo das mãos lascivas maltratada Da menina que a trouxe na capela, O cheiro traz perdido e a cor murchada: Tal está morta a pálida donzela, Secas do rosto as rosas, e perdida A branca e viva cor, co'a doce vida."
"Ó Rei subido, Aventurar-me a ferro, a fogo, a neve É tão pouco por vós, que mais me pena Ser esta vida cousa tão pequena."
"Quem poderá do mal aparelhado Livrar-se sem perigo sabiamente, Se lá de cima a Guarda soberana Não acudir à fraca força humana?"
"Queimou o sagrado templo de Diana, Do subtil Tesifónio fabricado, Heróstrato, por ser da gente humana Conhecido no mundo e nomeado: Se também com tais obras nos engana O desejo de um nome avantajado, Mais razão há que queira eterna glória Quem faz obras tão dignas de memória."
"Eis aqui, quase cume da cabeça De Europa toda, o Reino Lusitano, Onde a terra se acaba e o mar começa."
"Ó milagre claríssimo e evidente!"
"Esta é a ditosa pátria minha amada."
"Onde pode acolher-se um fraco humano, Onde terá segura a curta vida, Que não se arme, e se indigne o Céu sereno Contra um bicho da terra tão pequeno?"
"Certifico-te, ó Rei, que se contemplo Como fui destas praias apartado, Cheio dentro de dúvida e receio, Que apenas nos meus olhos ponho o freio."
"Onde reina a malícia, está o receio Que a faz imaginar no peito alheio."
"Já no largo Oceano navegavam, As inquietas ondas apartando; Os ventos brandamente respiravam, Das naus as velas côncavas inchando; Da branca escuma os mares se mostravam Cobertos, onde as proas vão cortando As marítimas águas consagradas, Que do gado de Proteu são cortadas."
"Do rosto respirava um ar divino, Que divino tornara um corpo humano; Com uma coroa e ceptro rutilante, De outra pedra mais clara que diamante."
"Da Lua os claros raios rutilavam Pelas argênteas ondas Neptuninas, As estrelas os Céus acompanhavam, Qual campo revestido de boninas; Os furiosos ventos repousavam Pelas covas escuras peregrinas. Porém da armada a gente vigiava, Como por longo tempo costumava."
"E vós, Tágides minhas, pois criado Tendes em mi um novo engenho ardente, Se sempre em verso humilde celebrado Foi de mi vosso rio alegremente, Dai-me agora um som alto e sublimado, Um estilo grandíloco e corrente, Por que de vossas águas Febo ordene Que não tenham enveja às de Hipocrene.'Dai-me uma fúria grande e sonorosa, E não de agreste avena ou frauta ruda, Mas de tuba canora e belicosa, Que o peito acende e a cor ao gesto muda; Dai-me igual canto aos feitos da famosa Gente vossa, que a Marte tanto ajuda; Que se espalhe e se cante no universo, Se tão sublime preço cabe em verso."
"As armas e os Barões assinalados Que da Ocidental praia Lusitana Por mares nunca de antes navegados Passaram ainda além da Taprobana, Em perigos e guerras esforçados Mais do que prometia a força humana, E entre gente remota edificaram Novo Reino, que tanto sublimaram."
"Cantando espalharei por toda parte, Se a tanto me ajudar o engenho e arte."